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Como a menopausa pode impactar as mulheres no ambiente de trabalho

SAÚDE

Sintomas relacionados à menopausa, desde ondas de calor até dificuldades cognitivas, podem afetar o desempenho profissional.

Lara De Souza Lima

14 de maio de 2024

As ondas de calor, também conhecidas como “fogachos” ou o famoso “calorão”, é um dos sintomas mais relatados pelas mulheres durante a menopausa - Foto: Lara de Souza Lima

A organização latino-americana No Pausa, participando da Caminhada Avon de conscientização sobre o câncer de mama, em 2023

Antes de falar sobre a menopausa é preciso entender que ela faz parte do climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e não-reprodutiva da mulher. É uma fase que tem início por volta dos 40 anos e pode se estender até os 65. Ela é dividida em três períodos: perimenopausa, menopausa e pós-menopausa.

A perimenopausa é o primeiro estágio do climatério que antecede a menopausa. Nesse estágio, as mudanças hormonais e os sintomas característicos desse período se iniciam. Já a menopausa, marca o fim do período reprodutivo da mulher. Nessa fase do climatério ocorre o término permanente da menstruação. O pós-menopausa corresponde ao período após o evento da menopausa. Durante esse estágio, os sintomas do climatéricos permanecem e podem se intensificar. Algumas mulheres continuam a senti-los por até uma década após a menopausa.

Segundo pesquisa da empresa americana Biote, 40% das mulheres dizem que os sintomas interferem na performance e produtividade e uma em cada cinco deixaram ou consideraram deixar seus empregos. Com 47 anos, um ano após sentir os primeiros sintomas do climatério, Elizabeth Lima, professora infantil, conta que começou a sentir com intensidade os fogachos e as falhas na memória. “Foi um processo bem desafiador no trabalho pra mim, porque além dos calores e suores, às vezes eu esquecia algumas coisas e eu sou professora, então isso impactou severamente”, diz Elizabeth.

Recentemente, agora com 48 anos, em consequência de problemas de saúde físicos que Elizabeth já possuía e junto com os sintomas do climatério, veio a decisão de sair do emprego. "A minha preocupação maior era a questão realmente física, motora minha. Eu estava com muito medo de que esses problemas de saúde fossem me afetar, e eu tenho duas crianças pequenas", conta a professora.

Flavia Mambrini, ginecologista e obstetra, explica que a durabilidade dos sintomas variam. "Depende muito de que fase você está, em cada uma a gente vai ver sintomas diferentes. Mas eles só vão se acumular se não forem tratados", afirma a médica.

As mudanças hormonais durante as fases da menopausa podem ter efeitos negativos e significativos. Mambrini recomenda, além de buscar um tratamento específico para cada necessidade, fazer exercícios físicos, mudanças na dieta e no estilo de vida para equilibrar os hormônios e minimizar os sintomas. "As pessoas precisam entender que é uma fase complexa, que ela pode trazer muitas consequências, mas ela pode ter tratamento", diz Flavia.

A empreendedora Miriam De Paoli passou por uma experiência difícil com a perimenopausa. Hoje, alguns anos após essa dor pessoal, ela é CEO e cofundadora da No Pausa, uma organização latino-americana com o objetivo de visibilizar a menopausa e o climatério. "É só com informação que a gente vai tirar essa mística negativa relacionada com a menopausa. E assim, poder reescrever a narrativa e entender que é uma etapa natural, que com informação ela pode ser atravessada sem maiores impactos”, diz a cofundadora.

 

“Cerca de 80% das mulheres nessa fase vão apresentar sintomas, o que muda é a intensidade deles e como vão ser tratados. O nosso grande propósito é ser essa plataforma acessível de saúde e bem-estar para a mulher menopáusica, nas suas diferentes etapas e necessidades, sem tabu", conclui Miriam.

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